Calle Soriano

Porto Alegre mal se reconhece em junho

Posted in Crônica by iurimuller on 29 de junho de 2013
Por Ramiro Furquim/Sul21

Por Ramiro Furquim/Sul21

Durante as noites, escapamos dos tiros e das pedras no largo do Mercado Público. Corremos do gás lacrimogêneo na Borges de Medeiros, rua abaixo, rua acima. Encontramos companheiros inusitados e mal vemos os rostos de outros tantos.

A reportagem se estende, às vezes a noite é tão longa que a sufoca. As linhas só se entregam quando já é madrugada alta, hora em que muitas das esquinas do centro de Porto Alegre já exibem as marcas definitivas de uma impensada batalha.

Durante os dias, a estranheza não foi menor. Caminhamos pelas mesmas ruas como se nada tivesse acontecido, mas os tapumes e a tinta dos muros nos faz recordar: “a cidade vai parar”, “os ricos vão pagar a conta” e “o meu não direito não se vende”.

Nas noites ou no dias – é preciso admitir – entendemos pouco ou nada. Mas foram poucas as vezes em que freamos o passo ou a garganta, mesmo quando a chuva não parou nem para um minuto de alívio.

A verdade é que foram estranhos os tempos de junho.

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